As religiões e o medo
Setembro 20, 2007 por joaopc
Bertrand Russel, como se percebe do lema de cabeçalho, é um dos meus autores de estimação. O primeiro capítulo da sua obra seminal “Porque não sou cristão” está on-line e até traduzida em português. Vale a pena revisitar alguns pontos pertinentes:
«Quanto a mim há um sério defeito na moral de Cristo, que é a sua crença no inferno. Não posso admitir que uma pessoa profundamente humana possa acreditar num castigo eterno.
Como já disse, não acredito que o motivo que leva as pessoas a aceitar uma religião tenha alguma coisa a ver com o raciocínio. Aceitam uma religião por motivos emocionais. Afirma-se muitas vezes que é prejudicial atacar uma religião, porque ela torna os homens virtuosos. Confesso que não estou convencido disso. (…) Parece-me que o povo que se sente seguro das suas crenças se torna muito mais perverso. Facto curioso: quanto mais fervorosa foi a religião numa determinada época e mais profundo o dogmatismo, tanto maior foi a crueldade e pior o estado do mundo. Nos séculos em que a fé foi mais viva e em que os homens aceitaram a religião cristã na sua integridade, tivemos a Inquisição e as torturas. Penso nos milhões de mulheres queimadas como sacrílegas e em todos os horrores de que a religião foi o pretexto.
Basta relembrar a história mundial para nos apercebermos que o progresso, em todos os domínios (humanização da guerra, brandura na escravatura, comportamento para com as pessoas de cor), foi constantemente contrariado pela oposição das Igrejas, quaisquer que sejam. Eu afirmo, pesando bem as minhas palavras, que a religião cristã, tal qual é estabelecida nas suas igrejas, foi e continua a ser a principal inimiga do progresso moral do mundo.
A religião é fundamentada primeiramente e sobretudo no temor. Por um lado é o terror perante o desconhecido, por outro o desejo de sentir uma espécie de irmão mais velho que esteja ao nosso lado quando nos sentimos receosos ou em dificuldades. O temor é a base deste problema ― temor do misterioso, temor do malogro, temor da morte. E o temor engendra a crueldade, razão por que a vemos de mãos dadas com a religião. O temor está na base de uma e de outra. Neste mundo, começámos a compreender as coisas, a dominá-las um pouco com a ajuda da ciência ― que vai abrindo caminho pouco a pouco apesar da oposição da religião cristã, das Igrejas em geral e de todas as superstições. A ciência pode ajudar-nos a vencer esse covarde terror em que a humanidade tem vivido durante tantas gerações; a ciência pode ensinar-nos, e penso que o nosso próprio coração nos pode também ajudar, a não mais procurar apoios imaginários à nossa volta, a não mais forjar aliados nos céus, mas a concentrar todos os nossos esforços aqui na terra, a fim de fazer deste mundo um lugar onde se possa viver agradavelmente, ao contrário do que têm feito todas as Igrejas através dos séculos.
Devemo-nos manter de pé com os nossos próprios meios e olhar francamente para o mundo ― ver os seus aspectos bons, seus aspectos maus, suas belezas e suas fealdades; olhar para o mundo tal qual ele é, sem pavor. Conquistar o mundo pela inteligência e não nos deixarmos subjugar como escravos do terror. Todo o conceito de Deus é tirado do velho despotismo oriental. É uma concepção absolutamente indigna de homens livres. Quando sei de pessoas que se curvam nas igrejas confessando-se miseráveis pecadoras, e tudo o mais, tenho isso como desprezível, incompatível com o respeito que devemos a nós próprios. Devemos, ao contrário, olhar o mundo francamente e no seu rosto. Devemos melhorar este mundo e, se ele não é tão bom quanto desejávamos, que ele seja melhor do que o construído no passado pelos outros. Um mundo à nossa medida exige saber, bondade e coragem; não exige uma intensa nostalgia do passado, nem o acorrentar da livre inteligência aos entraves impostos pelas fórmulas que os antigos ignorantes inventaram. O que uma perspectiva do futuro desligada do terror exige é uma visão clara das realidades. O que exige a esperança no futuro não é o refluxo constante a um passado morto, que, estamos certos, será em muito ultrapassado pelo futuro que a nossa inteligência é capaz de criar.»
O mundo do faz de conta.
Não sei que anda acontecendo comigo, pois para mim todas as coisas estão às avessas.
A bíblia e os seus argumentos estão me parecendo os contos da carochinha inventando moda para a humanidade acreditar no impossível.
Acreditei por muito tempo nos seus argumentos, mas hoje estou colocando em dúvidas aquilo que eu aprendi na minha infancia sobre os seus temas.
Deste livro saiu milhares de religiões que se contradizem entre si e cada qual acha que estão certas e as outras estão erradas, mas no meu ver para elas é somente o dinheiro que interessa e mais nada.
São estórias e não mais história conforme eu acreditava, pois são muito impossíveis de acreditar.
Até hoje eu não vi nada que viesse de lá para me dizer ou dizer para alguem simplesmente conhecido como é o mundo do lado que Deus esta.
Eu aqui estou para sentir a mais pura verdade, pois a verdade é o que mais me interessa.
Acho que estamos vivendo no mais triste mundo, pois aqui sentimos na pele a vinda e ida dos nossos entes queridos, de onde eles vieram e para onde está indo.
No meu mais puro sentido e sem querer fazer média com ninguém, aqui neste planeta está no fundo do poço, pois a morte, as doenças e tudo nos afringem.
Como eu gostaria de ver este mundo bem melhor, a onde ninguém enganasse ninguém e vivessem numa perfeita harmonia, não destruindo os pobres animais que tem o mesmo direito que nos temos.
Que todos os seres vivessem em paz, e que nos não precisassem se alimentar um do outro.
As feras deixassem de serem feras, enfim poderiam desfrutar de tudo que fossem bons para todos, e o bem seria o privilégio dominador de todos nos. Para eu voltar acreditar fielmente neste Deus da bíblia, muitas coisas nela teriam que mudar e comprovar o verdadeiro amor deste personagem a todas as criaturas sem nenhuma exceção. O meu nome: José Franco Silveira na espera de um bom viver para mim e para todos.
Obrigado, José, pelo desabafo.