Não há dúvida que a Igreja Católica não é um penedo. Ao contrário de outras religiões, como diria Galileo: E no entanto, move-se. É, no mínimo, um porta-aviões. E de vez em quando, para remostrar que é um culto moderno e dinâmico, dá um ar de novidade. Agora resolveram os cérebros abençoados do Vaticano acrescentar mais quatro pecados mortais aos sete já há muito conhecidos e ignorados: gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça.
Os comportamentos que passam a merecer condenação eterna nas chamas do Inferno católico são: a manipulação genética, o consumo de drogas, a poluição e a desigualdade social.
A Santa Sé pretende, com isto, adaptar a moralidade católica à “realidade da globalização” – como se todos aqueles não fossem problemas bem antigos, mas enfim, serve para animar o rebanho. A lista foi divulgada depois de Bento XVI ter denunciado a “queda do sentimento de pecado no mundo secularizado”, em paralelo com a redução no número de católicos que praticam a confissão.
Entretanto li numa notícia brasileira sobre o assunto um teólogo brasileiro a dizer que sim senhor, está muito bem, mas que podiam lá ter posto também outro flagelo da humanidade: O tráfego. Não, não é o tráfico (o que até seria mais compreensível), é mesmo o tráfego. Carros, motas, acidentes rodoviários e assim. Faz lembrar o outro, manda-chuva da Igreja portuguesa, que afirmou há pouco tempo que o maior flagelo da actualidade é o ateísmo e a descrença… Sendo gente tão santa, alguém os há-de certamente perdoar. Seja como for, o disparate não está incluído nos 11 Pecados Mortais, portanto não há problema.
Quanto aos novos pecados capitais, assaltam-me algumas dúvidas, vou ter de estudar melhor a resolução papal. Por exemplo, no que respeita às drogas. Referem-se a TODAS as drogas? Ou só a algumas? O álcool e os anti-depressivos, contam? E os charros, são menos pecaminosos do que a cocaína? E a partir de que quantidades é que é efectivamente pecado – imaginemos o álcool, a toxicodependência que mais gravemente afecta a nossa sociedade, até no capítulo rodoviário que atormenta a alma do sacerdote brasileiro? E se o álcool em quantidades moderadas não é pecado, porque é que fumar cannabis em quantidades moderadas é, sabendo nós quem em certos países até é aconselhado pelos médicos porque alivia as dores e aumenta o apetite, por exemplo? Fala-se ainda apenas no “uso da droga”, então e o tráfico?
Entretanto, claro, tudo isto é puramente abstracto e académico. Sobretudo porque a Igreja fez imediatamente questão de divulgar o receituário papal para contornar os novos mandamentos “da globalização”: «Na entrevista ao Osservatore Romano, Girotti recordou as recomendações para se receber o perdão. “Confissão em 15 ou máximo 20 dias antes ou depois de cometer o pecado, comunhão, oração segundo as intenções do papa, pureza e caridade”, disse o clérigo.». Ora aí está: confissão, comunhão, oração, pureza e caridade. Zás. Como as duas últimas são mais do foro íntimo de cada um e ninguém fiscaliza (a não ser Deus, claro, mas esse também é infinitamente misericordioso para o seu rebanho, mesmo o tresmalhado e pecador, portanto, não há problema), o resto é fácil, ainda mais para quem acredita. E os católicos adeptos da ganza (também os há, eu conheço alguns) já têm aqui a solução para os seus problemas com a eternidade.
E a poluição? É pecado mortal deitar uma pilha para o vidrão? Ou só é pecado quando se trata de uma fábrica? E as instalações, instituições e empresas do Vaticano, dos seminários às estações de rádio, passando por bancos e industrias pelo mundo fora, vão deixar de poluir de repente? As igrejas e catedrais vão passar a ter ETAR’s? Ou a fé lava mais branco?
Não sei, de facto nada disto é muito importante, mas pronto, são assim questões soltas que uma análise muito superficial levanta.


eu acho que é do incenso… usam em excesso no vaticano e depois da disto…
ps.- pedofilia e violencia domestica nao se lembrou o bendito papa ¿?¿…
Com o aumento de sete para onze, nos pecados “mortais”, o santo papa aumenta em ointenta por cento o percentual dos destinados ao Caldeirão do inferno. Mas Jesus disse que o “caminho é estreito…” , logo o problema não é só do papa…
Com o aumento dos pecados capitais, para onze, percebemos que a cada dia torna-se mais difícil viever e mais fácil ser condenado.