Afinal, a questão dos novos pecados mortais dos católicos é bem mais complexa do que a minha superficial análise anterior deixava adivinhar. Afinal não são quatro, são seis. E afinal não há nenhuma lista de novos pecados mortais. É tudo fumaça, como diria o saudoso Pinheiro de Azevedo.
É, pelo menos, o que se percebe deste esclarecimento do Zenit, órgão informativo das coisas do catolicismo apostólico romano. Tratou-se tudo, afinal, de um mal entendido desencadeado por uma entrevista de um dos administradores da instituição, Dom Gianfranco Girotti, bispo regente do tribunal da Penitenciaria Apostólica.
Seja como for, é interessante a amálgama de reacções da própria Igreja, de padres a bispos, todos, invariavelmente, a acolher de braços abertos a alegada nova resolução de Ratzinger…
Aparentemente, que estas coisas da fé são sempre muito fugidias e envoltas em misteriosa neblina, não há nenhum adenda oficial aos sete pecados já conhecidos. Além disso, Dom Girotti falou (terá falado, sei lá, já não confirmo nem desminto nada) de seis pecados, não de quatro e, ao contrário de outras fontes da tribo católica, no que se refere à droga, o que é pecado infernal será o tráfico e não o consumo. Razões mais que suficientes, se já não bastasse o protocolo de absolvição, para os alcoólicos e toxicodependentes (de drogas legais e ilegais) poderem dormir mais descansados.
Quanto aos outros não referidos no anterior post (pedofilia, aborto e riqueza desmesurada), os dois primeiros não têm grande interesse, no sentido de serem para consumo interno da ICAR e dos seus ditames morais, mas acho particularmente curiosa e ridícula o da “riqueza desmesurada”. Desde logo, o que é “riqueza desmesurada”? São 500 milhões de euros? É mais? É menos? E o que acontece então aos milhares de milionários católicos, gente simpática e filantrópica como Jardim Gonçalves? Vão para o inferno apesar de? Até que montante não é pecado enriquecer?
Eu sei, mais uma vez, que nada disto tem real importância (não os temas, que são importantes para qualquer um independentemente da sua crença, mas sim a chancela do pecado, cujo valor é pouco mais do que simbólico, mesmo para a generalidade dos católicos, que sempre se borrifaram de uma forma ou de outra para os sete originais), senão a de colocar a ICAR mais uma vez na ribalta mediática. O que não é necessariamente mau, para desenjoar de outras barbaridades religiosas, sobretudo as oriundas do Islão.
Ao menos assim andamos entretidos com questões inócuas e abstractas, mais ou menos como as visões do fim do mundo dos Jeovás.


ui… ja estou muitooooo mais descansa… ate ja vou dormir esta noite…
ps.- sera que a subida das temperaturas é por excesso de almas no inferno¿?¿