«(…) “Ser Humano” como alternativa a “Religião”, por outro lado, é algo que não concebo e mostra a que ponto somos diferentes na nossa mundivisão, porque pressupõe que a religião é algo exterior ao homem, algo que “não é humano”, que não o dignifica. E não, como efectivamente é, uma manifestação de profunda humanidade, que pode ser exaltante e enriquecedora, tal como a criação artística. É essa a medida do meu respeito pela dimensão religiosa do Ser Humano.».
A vida tem destas coisas curiosas. Pouco depois de publicar este comentário no Portal Ateu, tropecei num artigo magnífico acerca deste assunto, da importância da religião, argumentando no mesmo sentido. Assim eu tivesse a arte e a sabedoria para escrever assim, seria assim que desenvolveria a minha “tese”.
Quem chegue a este blog e leia alguns posts desgarrados, poderá ficar com a errónea impressão que vejo as religiões como primarismos (também dão azo a isso, mas é insensato reduzir a religião a uma espécie de irracionalidade primitiva) ou como alvos a abater. Os alvos a abater são a ignorância e o fanatismo e a religião suscita em mim mais interesse que repulsa. Confesso que já fui mais radical em relação a este assunto, mas entretanto, e também à medida em que fui aprofundado e experimentando, desenvolvi de facto uma relação de aceitação com o “fenómeno”.
Como referi no comentário, encaro a religião como um fenómeno profundamente humano, um produto legítimo e irreprimível de uma consciência inteligente que aspira a “algo mais”. Nem a razão nem a ciência, por outro lado, como bem sublinha este autor em baixo citado, que por acaso é físico e que por acaso também não é crente, esgotam a experiência humana. E a religião anda connosco há demasiado tempo para não nos merecer, pelo menos, alguma atenção e respeito. E até pode acontecer que seja uma agradável surpresa, não só em termos de conhecimento como em termos de beleza. Porque, efectivamente, também não é sensato olhar apenas para o lado negativo da questão, também é importante perceber e reconhecer as virtudes.
Um texto de uma grande lucidez e tolerância, onde se questiona a postura de ateus proeminentes e mais radicais, em relação à religião, como Richard Dawkins:
What the New Atheists Don’t See
To regret religion is to regret Western civilization.
The British parliament’s first avowedly atheist member, Charles Bradlaugh, would stride into public meetings in the 1880s, take out his pocket watch, and challenge God to strike him dead in 60 seconds. God bided his time, but got Bradlaugh in the end. A slightly later atheist, Bertrand Russell, was once asked what he would do if it proved that he was mistaken and if he met his maker in the hereafter. He would demand to know, Russell replied with all the high-pitched fervor of his pedantry, why God had not made the evidence of his existence plainer and more irrefutable. And Jean-Paul Sartre* came up with a memorable line: “God doesn’t exist—the bastard!”
Sartre’s wonderful outburst of disappointed rage suggests that it is not as easy as one might suppose to rid oneself of the notion of God. (Perhaps this is the time to declare that I am not myself a believer.) At the very least, Sartre’s line implies that God’s existence would solve some kind of problem—actually, a profound one: the transcendent purpose of human existence. Few of us, especially as we grow older, are entirely comfortable with the idea that life is full of sound and fury but signifies nothing. However much philosophers tell us that it is illogical to fear death, and that at worst it is only the process of dying that we should fear, people still fear death as much as ever. In like fashion, however many times philosophers say that it is up to us ourselves, and to no one else, to find the meaning of life, we continue to long for a transcendent purpose immanent in existence itself, independent of our own wills. To tell us that we should not feel this longing is a bit like telling someone in the first flush of love that the object of his affections is not worthy of them. The heart hath its reasons that reason knows not of.
Of course, men—that is to say, some men—have denied this truth ever since the Enlightenment, and have sought to find a way of life based entirely on reason. Far as I am from decrying reason, the attempt leads at best to Gradgrind and at worst to Stalin. Reason can never be the absolute dictator of man’s mental or moral economy. (…)»


Em jeito de comentário a esta entrada e retomando a conversa anterior…
É precisamente porque a ciência e a razão não esgotam a experiência humana, que ninguém se lembra de repreender um casal de namorados pelo seu romantismo, por dizerem coisas como “do fundo do meu coração…” ou “és o meu mundo”, porque as paixões humanas são fruto de processos químicos e não de uma qualquer vontade do coração. Pelo contrário, essas manifestações de romance são encaradas como vivências passionais normais e paralelas a uma explicação científica, pedindo-se apenas que não sejam exageradas, destrutivas ou suicidas.
Se se encara uma forma de vivência emocional, passional e irracional deste modo, não há motivo para não se encarar a religião de um modo semelhante.
Concordo, sim senhor. O iluminismo e a vitória da razão sobre a religião enquanto d(en)ominador comum social e político foram acontecimentos fulcrais na história da humanidade. Foi uma evolução fenomenal que remeteu, pelo menos no Ocidente, a espiritualidade para o domínio privado de onde nunca deveria ter saido.
O secularismo é um dos meus valores fundamentais e é a razão que me orienta os passos – apesar de muitas vezes tomar decisões tão pouco racionais quanto demasiado emotivas, mas enfim, lá está, não é senão humano… – mas isso não invalida que não admire uma equilibrada vivência religiosa. Ou amorosa, já agora!
Não é porque as paixões dão azo a inúmeros crimes passionais (uma forma de violência particularmente generalizada e frequente) que se deve desprezar ou combater o amor. Penso eu.
Igreja é a covardia e o reduto do covarde; é a desgraça psicológica do reprimido e do violentado socialmente. Religião é a escora dos covardes, e o aguilhão do opressores.
Igreja e Religião são perseguidores, espreitadores, destruidores, dissimulam o ódio à Sabedoria, à Ciência, e aos sentimentos genuínos da espécie humana. São o fracasso da capacidade social de viver em consenso sem mentiras daninhas e nocivas.
Igreja e Religião são um fenômeno assassino, ludibriador, adulador e parasita.
Igreja e Religião é o fato espúrio da vagabundice regalada, da falsa competência sócio-individual. É tudo de ruim que se pode conceber num só arremêdo de verdade. É o que precisa ser extinguido da face da Terra para que o ser humano consiga desfrutar de sua plena estatura como ser consciente, para que consiga de fato provar o que significa amar a vida, consoante com os princípios, leis, diretrizes e conceitos que estabelecem a Natureza, que fizeram o ser humano prumo sobre este maravilhoso Planeta.
Quando postei um comentário no site Palavras Sussurradas (sobre uma intrigante exposição que explorava o aniquilamento de um cachorro à vista de todos) indiquei a atenção de como alguns comportamentos nossos foram usados para criar uma imensa mentira e nos escravizar completamente nela; e apontei uma ressalva sobre a infelicidade de o povo judeu ter sido usado desonestamente para legitimá-la (porque, conforme se pode ver em textos consecutivos postados no Orkut no álbum do perfil de Haddammann Veron Sinn-Klyss, especificamente o intitulado A Canalhice Começou Assim, podemos infelizmente notar e comprovar em tudo em torno de nós que um engendramento psicológico daninho que inventamos com o nome de R E L I G I Ã O desgraçou sem trégua indivíduos e sociedade em séculos e séculos; porque depois dessa corrupção psicológica ter sido enfiada por nós mesmos em nossa Sociedade, nunca experimentamos o sossego e o desenvolvimento pacífico com deleite e merecimentos na vida).
Acontece que é minha preocupação a justiça dos fatos. E uma coisa não podemos de maneira nenhuma prescindir (saber o que de fato importa saber).
As religiões, principalmente as radicais como a cristã vai tomar um tombo feio, não demora muito (porque é inevitável a constatação do fracasso e as arrumações escondidas que maquinam para nos manter escravizados e tutelados, sob um embaçamento psicológico devastador). E, por isso, tenho tentado impedir que o ódio das pessoas ao se darem conta do engano que as avassalou, massacrou, séculos a fio, pode acabar se dirigindo injustamente também ao povo judeu.
Portanto, quero deixar bem claro outra coisa:
Quem se deu conta que é o povo judeu que mais pode desmentir a Igreja Católica e suas crias? E quem se deu conta que todo o tormento que drena a vida dos palestinos é fomentado por essa medonha e hedionda instituição? Para que acossados com tanta tragédia não se ponham a atinar o quanto são importantes para desmascarar essa horrenda, vagabunda, e desgraçada Confraria Católico-Protestante?
Assim, por exemplo, quantos processos o povo judeu (e outros) poderia(m) erguer de vez com o abarrotado número de provas que há contra essas canalha, covarde, e mentirosa instituição sugadora de riquezas, assassina de mulheres e crianças? (Não só no período da Segunda Guerra não, mas em todo o tempo, o tempo todo, todo dia, cada segundo, que essa pulhice existe)
Então,pensemos nisto: Impondo tormento não há como termos momentos serenos de Reflexão que nos dê a centelha de razão e orientação para olharmos sem medo, cara a cara, a máscara dos desgraçados. E providenciarmos a nossa defesa diante de tudo que nos fazem e fizeram. Mas o momento chegou, e é este. E não há enganação, tamanha que for, que nos faça não os ver, e proceder a Sentença.
Haddammann Veron Sinn-Klyss
O Mais Terrível Mêdo e Sentimento do Ser Humano.
Recue. Puxe o fôlego para encarar. Este é o texto do ultimato; o fecho do desenlace. O documento de decisão da consciência. O ser humano se encontrará agora diante de seu mais temível, e jamais sondado, MÊDO, que está dentro, frio, calado; mas que esmagaça suas entrâncias. Porque esse mêdo soma um sentimento quase intraduzível que reúne a um só tempo: o sentir-se sozinho, impotente, sem absolutamente o que possa referenciá-lo. E esse sentimento está recôndito no mais cruel fato, no mais duro pensamento; que só em se insinuar perto da consciência estremece um calafrio de pavor, e o ser humano se esconde e faz tudo para não ter de vê-lo; porque ele agita até toda sua identidade, e ele prefere a exclusão do pensar do que deparar com tal embate psicológico … porque não é dor … é o encontro com o não ser … de não ser encontrado como existência, de não ver referência que dê sutento ao seu existir.
Existe algo estranho numa jornada de vida, não há como saber quanto está alinhavado cada nó do bordado onde cada um de nós toma e retoma sua linha de história; e é esse esquivo fenômeno que fêz neste exato momento essas linhas que você lê.
Talvez não haja neste instante em toda a extensão deste globo alguém com uma história tão absolutamente posta como traço desde a natura tenra até ao alcance de ter o peso de deflagar um juízo sobre uma nação, sobre uma civilização, sobre uma espécie.
Os olhos humanos vêem nitidamente o cirandar dos rumos, o voleio dos ventos, tomando o volume do assombro repentino, e vê o correr espavorido e galopante do desgraçado arrogante e do covarde a encarar o relâmpago estampado diante de seu lívido olhar sem mais tempo algum diante de seu montante de estupidez e inútil futilidade.
Nos dias idos nossos ancestrais se apavoravam com o temor de não ter onde pisar, o que o cobrir, o que o sustentar. E ao pensar que a Terra seria um platô, um “plano” sem fim, só lhes cabia ver o “em cima” como céu; e imaginar que quando o chão se revolvia debaixo de seus pés, que lá em cima poderia estar a segurança. “O que sou?” … “Como poderei assegurar minha vida?”. Esse tormento psicológico terá se insinuado antes mesmo de qualquer um de nós ter tido a conquista do falar, ou, do claro pensamento expresso no falar.
O relâmpago riscava assombrosamente no céu, a Terra se enfurecia abrindo chanfros enormes nos solos que pareciam tão calmos e seguros. “Onde estou?” …
E foram-se os tempos … E uns rumaram pros confins do mar e não voltaram; “Caíram num abismo” …
Uma nova inferência surgia; “O que há mais que não sabemos” …
Mêdo. “Eu posso falar, e pergunto, e nós nos perguntamos”; “Que segurança há pra nós nesse solo, que abruptamente nos surpreende? “E vemos catástrofes e fúrias de fogo e água e gêlo” …
Assim nossos genes em nossos pais se impregnavam de impressões de cuidados e insegurança. Tínhamos que procurar amainar nossa jornada de vida. E nós nos arrumávamos socialmente e começávamos a montar nossas casas e a ter os mesmos sentimentos de tê-la em segurança como os que tínhamos em esperança dum amainar de TEMPERAMENTO do ambiente (às vezes repentinamente hostil) que nos inquietava.
Queríamos o conforto psíquico do sossêgo. E inventamos um “regente” que se comiserasse de nosso temor e no qual pudéssemos aplacar nosso receio de corte de vida sempre iminente. E inventamos nossas supertições. E simbolizamos nosso Mẽdo. E criamos um “deus” terrível. Totalmente associado ao nosso sofrimento e nossas frustrações e esperanças. E as inferências se propagaram e tornaram-se crenças. Começamos a dotar nossas sociedades de rituais de consôlo, e víamos que era bom que fosse assim. Éramos tribais. Rudes. Infantes como seres vivos; inflamados de violentos temores e sentimentos.
Quando alcançamos o estágio da polis, das cidades, à medida que rompíamos o cordão da rudeza selvática e nômade também já deixáramos a crueza da caça aberta e retínhamos em controle o que domesticávamos e o que comeríamos. Aplacávamos aos poucos nosso maior mêdo; mas também já não o discutíamos, e o perdíamos no nosso subconsciente. E nossos símbolos tornavam-se severamente cruéis. Descobríamos que por eles então podíamos escravizar nossos próprios semelhantes; e torná-los como reses, como bichos amedrontados. Já não endeusávamos nossos símbolos para protegermo-nos de nossos receios e pressentimentos; criáramos a mentira acintosa, usurpadora de todos os direitos de nossa liberdade civil: Inventáramos a Religião. Uma pantomima de efeito civil catastrófico, tão mais daninho à sociedade do que todas as catástrofes naturais.
Hoje temos os políticos escorados em um auge do embuste dessa pantomima; ávidos por nos manterem cegados; cuidando sempre do domínio de nosso estado civil escravo (fartamente açulado pelas frases insanas dos manuais de embustes); mas de maneira nenhuma cuidando da melhoria de nossa sociedade. Todos os desenvolvimentos genuínos emperram com entraves estapafúrdios e venerados pelo açulamento de nossa própria escravidão psicológica. Sucumbimos geração após geração, degenerando-nos como espécie, enfeiando-nos como seres, e já comprometendo gravemente a Terra com nossa própria invencionice, que se transformou numa armadilha psíquica de alto dano civil.
O Dossiê Haddammann Parte 6