A América cada vez mais interessante
Hillary ganha a Virgínia Ocidental com uma diferença, mais de 40 por cento, inesperada. É tarde para relançar a corrida, mas confirma o excepcional interesse destas eleições americanas. A América, depois de um ocaso de liderança, tem muito bons para escolher: uma mulher teimosa e sabedora, um mestiço com aura e um direitista com carácter e independente. Todos têm pormenores que por si só justificariam um voto. A última edição da revista The Economist focaliza um dos méritos de Barack Obama. Os estudantes negros que trabalham duro são acusados pelos colegas negros de “agir como brancos.” Quantificou-se o fenómeno: os brancos de quadro de honra ganham mais amigos; os negros, perdem-nos. O culto do trabalho e do mérito é evidentemente atacado por quem beneficia com a guetização dos negros. A mensagem de Obama “eu sou eu e ultrapasso as minhas circunstâncias” é das coisas mais salutares que a América produziu nas últimas décadas. E não só para consumo interno.
Ferreira Fernandes in Diário de Notícias (15/05/08)


Tudo muito bonito, para os americanos. Vamos ver se essa aura ainda irá brilhar quando a cabeça que a suporte tiver que pensar em política externa.
Vamos ver. Seja como for, qualquer das alternativas é melhor do que o Bush. Por outro lado, seja qual for a nova orientação externa da Casa Branca, haverá sempre gente descontente. Já a mensagem de que fala Ferreira Fernandes, é salutar com ou sem auras e é sem dúvida um ponto a favor de Obama.