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«In his opinion piece titled “Celebrity atheists expose their hypocrisy”, Dr Dvir Abramovich laments the attention that recent publications by the so-called “new atheists” have been receiving. He takes to task prominent atheists Richard Dawkins (The God Delusion) and Christopher Hitchens (God is Not Great: How Religion Poisons Everything) over the positions they espouse in their best-selling books.
Abramovich’s main point seems to be that the new atheists are hypocritical in criticising the evils of religion while at the same time ignoring the evils of secularism. Yet in the end one is led to wonder whether he has actually read Dawkins’ and Hitchens’ books, because both this point and the others he raises are directly addressed in their pages. Even if Dawkins and Hitchens are guilty as charged, Abramovich might equally be accused of emphasising the most laudable parts of religion while glossing over its long and continuing record of putting barriers between people, suppressing free thought and providing a convenient excuse for all manner of violence. (…)»
James Richmond. Continua no Sydney Morning Herald
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«Bolas, que tanto texto anti-Saramago já enjoa. Basta!
De tanto acusar de leviandade e banalidade na análise, os opositores de Saramago esquecem-se que estão eles mesmo a ser extremamente parciais e levianos na análise que fazem do seu livro e das suas declarações.
O ponto principal, como disse e muito bem a leitora anterior, é se criticar a Bíblia é tão legítimo como criticar outra coisa qualquer. Quando se insulta o Benfica, alguém vem dizer “o senhor acabou de insultar seis milhões de portugueses”? Quem aceita que isso não faz sentido tem também que aceitar que não se ofende ninguém pessoalmente por se colocar a nú o absurdo que a Bíblia literal é. A Bíblia não está acima de crítica, nem acima do humor, nem acima do insulto. A menos que achemos que a religião tem que ter um papel social especial – mas então os anti-Saramago que o afirmem abertamente!
E só por grande desonestidade intelectual é que os delatores do José Saramago podem vir tentar argumentar que a análise que faz é simplista por ser literal. Parece-me de loucos que se compare seriamente, por exemplo, a Bíblia à história de Ulisses, como já se viu neste blog. A menos que no dia 25 de Dezembro se comemore o nascimento de Ulisses. E na Páscoa a sua morte e ressurreição.
Sejamos sérios. Os cristãos levam a Bíblia a sério e à letra. Se não o Antigo Testamento, pelo menos o Novo. Quantos cristão convictos são cristãos sem a crença da existência histórica de Cristo, e todos os milagres que lhe são atribuídos? E não me venham com exemplos teístas Einsteinianos. Einsteinianos são meia dúzia, cristãos “normais” são milhões. E acreditam em Cristo Bíblico. A própria Igreja aceita milagres e acredita na verdade histórica da história cristã.
Só que não há nenhuma razão lógica para se apontarem partes específicas de um texto sagrado e dizer “esta é literalmente verdade”, “esta é historicamente importante, mas não literalmente verdade”. Este é um exercício discricionário nada rigoroso e nada científico. Afinal o que tem a história de Cristo que a torne mais credível do que Antigo Testamento? Das duas uma, ou se acha que tudo é verdade literal, ou se acha que tudo tem que ser interpretado simbolicamente. É este o grande valor das declarações de Saramago. Elas mostram o absurdo de se considerar a Bíblia uma verdade literal. Mostram que este deus, mesmo que existisse, não nos interessaria.
Resumindo, aparte considerações sobre a escrita e as opiniões de José Saramago, toda esta hipocrisia já enjoa. Teria havido esta reacção se Saramago se tivesse pronunciado nos mesmos termos sobre um partido político, um clube de futebol ou uma minoria social? Dificilmente. A religião goza de privilégios que as suas características intrínsecas não lhe podem conferir numa sociedade que se diz igualitária e humanista. Tudo o que Saramago fez foi reduzir ao absurdo a mesma postura literal que todos os católicos tacitamente seguem quando vão à missa.»
Ricardo, comentário a um texto de João Boavida no De Rerum Natura
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Além dos inúmeros trogloditas que vieram a terreiro adjectivar e insultar José Saramago – prova de que o perdão e a tolerância cristã, como a Bíblia, também são uma batata (isto é, o que cada um quiser) – foi gratificante reconfirmar a posição oficial da Igreja Católica Apostólica Romana em relação aos textos bíblicos.
Ao contrário do que acontece com a generalidade das outras confissões/versões do cristianismo, como as igrejas do movimento evangélico protestante, por exemplo, que se mantém monoliticamente fiéis ao literalismo dos textos: o que lá está é o que foi, sem tirar nem por nem lugar para simbolismos – o criacionismo da terra recente, que afirma, com base numa leitura literal do Antigo Testamento, que o planeta tem uns meros milhares de anos, é um exemplo extremo deste literalismo, que afecta milhões de parvos neste mundo, para usar a terminologia do teólogo católico Carreira das Neves, que não acredita que os crentes da Bíblia sejam todos parvos -, a ICAR eleva-se sobre a parvoíce e revela-se um exemplo positivo de adaptação ao zeit geist, ao espírito do seu tempo.
Desde logo na abordagem liberal q.b. aos textos sagrados, tidos pelos católicos, pelo menos pelos católicos eruditos e mais dados ao pensamento místico e cifrado, como uma obra de «literatura» escrita por homens supostamente inspirados pelo Deus judaico-cristão, ao longo de muitas gerações e aberta às interpretações – é claro que para os teólogos da ICAR, há interpretações válidas e não válidas, sendo que as válidas são as dos teólogos da ICAR.
É uma enorme ficção, um grande repositório de fábulas, simbolismos, mitos e metáforas que carece, como sublinhou o também teólogo (que é gente que se farta de pensar nestas coisas dos simbolismos bíblicos) Tolentino Mendonça, de uma “leitura simbólica”. Isto é, a Bíblia segundo a ICAR não deve ser lida à letra. Pelo menos nas partes más – isto é, “más” na conjuntura cultural e moral da respectiva época, já que noutros tempos as interpretações teológicas validadas pela Santa Sé deram para justificar guerras, tortura ou escravidão, entre outras coisas hoje em dia mais ou menos fora de moda. Excelente. A esmagadora maioria do povo judaico, por exemplo, acredita piamente que a Bíblia também é um livro de História, da História do seu povo, por muito que a arqueologia e a ciência provem que muito do que lá está é falso (isto é, “simbólico”), incluindo a fuga do Egipto, que nunca aconteceu a não ser na cabeça do escritor das escrituras.
A ICAR não, a ICAR não é o Jerry Falwelll nem o Bispo Tadeu. A ICAR mostra ser intelectualmente superior neste aspecto e completa a quadratura do círculo, que é dar uma roupagem racional a conteúdos espirituais. Mais uma vez, excelente.
Agora só falta é avisar a malta.
ps: e não deixaria de ser extremamente interessante conhecer de que forma é que cada católico se relaciona com a Bíblia, por meio de um inquérito nacional, por exemplo para ver até que ponto é que a interpretação metafórica das elites da Igreja tem correspondência no todo do rebanho. Desconfio que Carreira das Neves tinha um desgosto.Publicado em Bíblia, ateismo, crenças, criacionismo, desabafos, escritores | Tagged cristianismo, ICAR, saramago | 2 Comentários »
Não é frequente, mas desta vez José Saramago merece o meu aplauso entusiasta. E não deixa de ser com alguma satisfação que assisto às reacções do rebanho bíblico. Sobretudo das elites católicas, pouco habituadas a que gente de fora da instituição faça a sua exegese independente. Seria bom que esta polémica fosse realmente um sinal de secularização dos tempos. Por mim já arranjou cliente para o livro.
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Why I am not an atheist
«I don’t believe any gods exist, but I’m not an atheist any more than I am an asantaclausist or an aeasterbunnyist. Not believing in Santa Claus or the Easter Bunny doesn’t commit me to an ideology or belief system shared with others who reject the notion that such creatures exist. My disbelief in leprechauns doesn’t unite me with millions of other aleprechaunists. The label of ‘atheist’ is one that theists use to create the illusion that their belief in spirits has some substance. I don’t mind that theists devote themselves to illusions and delusions as long as they don’t do me any harm. But they fill their concept of the atheist with a number of lies and falsehoods that attempt to denigrate those of us who don’t share their belief in the existence of spirits. Theists are particularly prone to parading forth non sequiturs in their attempt to vilify those of us who don’t believe that an invisible spirit created us or the world we live in.(…)»
Continua em The Skeptic’s Dictionary que é um excelente site.
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“Investigating Atheism” é um projecto multidisciplinar da Universidade de Cambridge que merece uma paragem mais atenta. Como o nome indica, pretende analisar e compreender o pensamento ateu, a ausência de deus na história e no coração dos homens, o fim da fé. Está aqui.
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«The contemporary religious revival is a complex business. In the same period that Muslim societies, in their weakness, seem to have re-embraced Islam, America, in its strength, has re-embraced Christianity. Western Europe remains avowedly secular.
Despite the contradictions within the west, mainstream Orientalism holds that all cultures are developing towards the universal—or, more specifically, globalised—model of secular modernity and the market. According to this view, the Muslim world experiences backwardness to the extent that it resists secularisation. The Crisis of Islamic Civilization, a subtle and erudite book by former Iraqi minister Ali A Allawi, challenges this thesis. Surveying the Muslim world’s social, economic and moral failures, and the terror espoused by certain Islamist groups, Allawi suggests the problem might not be too much Islam, but too little. (…)»
Continua em Prospect Magazine
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“If you believe good, kind, moral, just, loving people, are going to be tortured in hell, forever, for not believing in Jesus, then you are a masochist, a schizophrenic, and very religious. You’ve lost your sense of what is rational, moral, logical and just. You need psychiatric help.”, Albert Ellis (1913 – 2007)
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«O conceito de “robôs diabólicos”, com a capacidade para tomar decisões e vontade de controlar o mundo e a humanidade, já tem sido amplamente explorado por autores de ficção científica. Com os avanços tecnológicos, a realidade pode não estar longe da ficção, embora estes sejam passivos e a intenção bem menos maléfica.
Investigadores da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e da Universidade da Indonésia, em Depok, apresentam um estudo sobre a moralidade baseada em lógica informática. Segundo este trabalho, publicado no «International Journal of Reasoning-based Intelligent Systems», as máquinas poderão um dia desenvolver a capacidade de tomar decisões baseadas em princípios morais.(…)»
Continua em Ciência Hoje
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Excelente, este artigo:
«THE “war” between science and religion is notable for the amount of civil disobedience on both sides. Most scientists and most religious believers refuse to be drafted into the fight. Whether out of a live-and-let-live philosophy, or a belief that religion and science are actually compatible, or a heartfelt indifference to the question, they’re choosing to sit this one out.
Still, the war continues, and it’s not just a sideshow. There are intensely motivated and vocal people on both sides making serious and conflicting claims.
There are atheists who go beyond declaring personal disbelief in God and insist that any form of god-talk, any notion of higher purpose, is incompatible with a scientific worldview. And there are religious believers who insist that evolution can’t fully account for the creation of human beings.(…)»
Continua em A Grand Bargain Over Evolution, Robert Wright in NYT
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“Não sou ateu e não penso que possa chamar-me um panteísta. Estamos na posição de uma criança pequena que entra numa enorme biblioteca, repleta de livros escritos em muitas línguas. A criança sabe que alguém deve ter escrito esses livros. Não sabe como. Não compreende a língua em que estão escritos. A criança suspeita vagamente de uma ordem misteriosa na organização dos livros, mas não sabe o que é. Essa, parece-me, é a atitude até do ser humano mais inteligente em relação a deus”
Albert Einstein
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«A palavra deus é para mim nada mais do que a expressão e o produto da fraqueza humana, a Bíblia uma colecção de respeitáveis, mas ainda assim primitivas lendas bastante infantis. Não há qualquer interpretação, por muito subtil, que consiga mudar isto»
Albert Einstein numa carta ao filósofo Eric Gutkind (3 de Janeiro de 1954)
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